O consumo frequente e prolongado de álcool e cigarro pode provocar danos ao nervo óptico e, em casos graves, levar à perda da visão. O alerta foi apresentado por especialistas em neuro-oftalmologia durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado em Salvador.
Segundo informações do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o uso crônico dessas substâncias pode comprometer a produção de energia das células responsáveis pela visão, provocando as chamadas neuropatias ópticas tóxicas.
A neuro-oftalmologia é uma área que reúne conhecimentos da oftalmologia e da neurologia e investiga alterações visuais relacionadas ao cérebro, ao nervo óptico e a outras estruturas do sistema nervoso.
Perda da visão pode acontecer de forma silenciosa
Nos casos relacionados ao consumo prolongado de álcool e tabaco, a perda visual tende a ocorrer de maneira lenta e sem dor, afetando os dois olhos. Por isso, a pessoa pode demorar a perceber que existe algum problema.
Entre os sinais descritos pelos especialistas estão o surgimento de uma área borrada no centro da visão e alterações na percepção das cores. O vermelho, por exemplo, pode passar a ser percebido como um tom mais próximo do rosa.
Bebidas adulteradas representam risco diferente
A intoxicação por metanol, substância que pode estar presente em bebidas adulteradas, também pode provocar graves problemas de visão.
De acordo com o CBO, os sintomas podem aparecer entre seis e 24 horas após o consumo e incluem visão turva, sensibilidade à luz, dilatação das pupilas e dificuldade para distinguir cores. O quadro pode evoluir para cegueira irreversível e, em situações graves, também provocar convulsões e coma.
Por se tratar de uma emergência, casos de suspeita de intoxicação por metanol precisam de atendimento médico rápido. O tratamento pode incluir medicamentos específicos, correção da acidose e até diálise, com possibilidade de preservação da visão quando iniciado a tempo.
Quando procurar atendimento
Os especialistas recomendam avaliação médica diante de alterações repentinas ou progressivas na visão. Entre os sinais de alerta estão perda súbita da qualidade visual, visão dupla, queda da pálpebra, dor ao movimentar os olhos e dores de cabeça persistentes acompanhadas de escurecimento da visão ao se levantar.
O diagnóstico pode envolver avaliação clínica das pupilas, visão das cores, campo visual e movimentos dos olhos, além de exames como tomografia de coerência óptica, ressonância magnética, dosagem de vitamina B12 e testes específicos da função visual.
Nos casos de neuropatia causada por álcool ou tabaco, uma das principais medidas é interromper o contato com a substância responsável pelo dano.







