A soroterapia ganhou destaque nas redes sociais e passou a ser divulgada como uma alternativa para melhorar a disposição, fortalecer a imunidade, retardar o envelhecimento e até aumentar o desempenho físico. No entanto, especialistas alertam que o tratamento deve ser realizado apenas quando houver indicação clínica e acompanhamento profissional.
Em entrevista à Rádio Clube, a farmacêutica, cosmetóloga e empresária na área de farmácia de manipulação, Ana Paula Magalhães, explicou que a soroterapia consiste na administração de vitaminas, minerais e outros componentes diretamente na corrente sanguínea por via intravenosa.
Segundo ela, embora tenha se tornado uma tendência recentemente, a técnica não é nova. A soroterapia surgiu ainda no século XIX e, inicialmente, era utilizada para salvar vidas, como na aplicação de soros antitetânicos e antiofídicos, usados no tratamento de picadas de cobra. A partir da década de 1950, passou a ser empregada também para suplementação vitamínica e melhora da qualidade de vida.
Atualmente, o procedimento é frequentemente associado à reposição de vitaminas e minerais, além de promessas de melhora da performance esportiva, combate ao envelhecimento e benefícios estéticos.
Benefícios dependem de necessidade comprovada
De acordo com Ana Paula, a soroterapia pode ser benéfica quando existe deficiência nutricional comprovada por exames e o tratamento é indicado por um médico.
“O principal benefício é corrigir a falta de vitaminas e minerais no organismo, mas isso precisa ser feito com prescrição médica, exames laboratoriais e acompanhamento profissional”, destacou.
Ela ressalta que a administração intravenosa não deve ser utilizada apenas por modismo ou sem uma avaliação clínica criteriosa.
Excesso de vitaminas pode causar problemas
A especialista chama atenção para os riscos do uso indiscriminado da soroterapia. Segundo ela, muitas pessoas procuram clínicas influenciadas pelas redes sociais e acabam realizando tratamentos caros sem necessidade.
Entre os possíveis problemas estão:
- Hipervitaminose (excesso de vitaminas no organismo);
- Infecções relacionadas à aplicação intravenosa;
- Alterações na tireoide;
- Aceleração dos batimentos cardíacos;
- Outras complicações, dependendo das substâncias administradas.
Ela explica que, em alguns casos, medicamentos injetáveis prescritos pelo médico e aplicados em farmácias possuem custo muito inferior aos chamados “coquetéis” oferecidos em clínicas de soroterapia.
Avaliação médica é indispensável
Ana Paula reforça que o tratamento deve ser realizado apenas após consulta médica e exames laboratoriais que comprovem a necessidade da suplementação.
Segundo ela, médicos, especialmente das áreas de endocrinologia e nutrologia, são os profissionais que normalmente avaliam a indicação desse tipo de terapia. Também recomenda que os pacientes verifiquem se o profissional está devidamente habilitado junto aos conselhos de classe e cumprindo as normas da Vigilância Sanitária.
Para a farmacêutica, a principal mensagem é que saúde deve ser baseada em evidências científicas.
“Não é achismo, é ciência. Antes de qualquer suplementação, é preciso saber, por meio de exames, se realmente existe deficiência e se o tratamento é necessário”, concluiu.







