O crescimento das apostas esportivas e dos jogos de azar online tem ampliado o número de pessoas afetadas pela ludopatia, transtorno caracterizado pelo vício em jogos. Considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) um problema de saúde mental, a condição já desperta preocupação de especialistas e instituições devido aos reflexos na vida financeira, familiar e profissional dos brasileiros.
Em entrevista à Rádio Clube, o presidente da OAB Patos de Minas, Rafael Normandia, explicou que a ludopatia ainda é um termo pouco conhecido pela população, embora o problema esteja em expansão.
Segundo ele, estimativas apontam que cerca de 25 milhões de brasileiros realizaram apostas em jogos de azar no último ano. Atualmente, a dependência em jogos já figura entre as principais formas de vício no país, ficando atrás apenas do alcoolismo, do tabagismo e da dependência de maconha.
Além dos prejuízos financeiros, o presidente da OAB destaca que o transtorno tem provocado impactos nas relações familiares, no ambiente de trabalho e na saúde mental. Pessoas com compulsão por apostas costumam acumular dívidas, enfrentar quadros de ansiedade e depressão e, em casos extremos, podem chegar ao autoextermínio.
Outro reflexo observado é a queda na produtividade dentro das empresas. De acordo com Rafael Normandia, muitos trabalhadores utilizam o horário de expediente para acessar plataformas de apostas, situação que também preocupa empregadores. Apesar disso, ele ressalta que o tema ainda carece de regulamentação específica nas relações trabalhistas e que cada caso deve ser analisado individualmente, já que a ludopatia é reconhecida como um transtorno mental.
O presidente da OAB também chamou atenção para a necessidade de ampliar a assistência às pessoas que enfrentam o problema. Segundo ele, por se tratar de uma questão relativamente recente, tanto o poder público quanto as instituições ainda estão estruturando formas de atendimento e acolhimento.
Na avaliação da entidade, ações de conscientização são fundamentais para combater o avanço da doença. Rafael Normandia defende que levar informação à população é uma das principais formas de prevenção, já que grande parte das pessoas sequer conhece o significado do termo ludopatia.
Sobre iniciativas para restringir a publicidade das casas de apostas, o presidente considera que medidas como a proibição de anúncios em espaços públicos podem contribuir para reduzir a exposição da população, especialmente de jovens e pessoas mais vulneráveis. Ele compara a iniciativa às campanhas de combate ao tabagismo, que passaram a alertar sobre os riscos do cigarro e contribuíram para reduzir o consumo ao longo dos anos.
Outro ponto destacado é o aumento do endividamento das famílias. Dados citados por Rafael Normandia indicam que aproximadamente 60% dos jogadores compulsivos possuem renda entre um e dois salários mínimos. Segundo ele, muitas pessoas deixam de priorizar despesas essenciais, como alimentação e contas da casa, para continuar apostando, comprometendo o orçamento familiar.
Nesses casos, a Lei do Superendividamento pode representar um importante instrumento para renegociação das dívidas, permitindo que consumidores reorganizem suas finanças sem comprometer o mínimo necessário para a sobrevivência da família.
Para a OAB Patos de Minas, a ludopatia já se consolidou como um desafio de saúde pública e exige ações integradas de conscientização, prevenção, assistência e regulamentação para reduzir os impactos causados pelo avanço das apostas online na sociedade brasileira.







