A negociação coletiva do comércio varejista e atacadista de Patos de Minas entre SindComércio e o Sindicato dos Empregados do Comércio (Sindec) segue em andamento e ainda não chegou a um consenso, gerando expectativa tanto entre trabalhadores quanto entre empresários do setor.
Em entrevista à Rádio Clube, o presidente do SindComércio, Eduardo Soares, explicou que as tratativas começaram logo após o término da data-base da categoria, no início de março, e que, até o momento, já foram realizados seis encontros entre as partes. Uma nova reunião, considerada decisiva, está agendada para a próxima segunda-feira (13).
Segundo Eduardo, o principal ponto de discussão gira em torno do reajuste salarial. Ele afirma que a proposta apresentada pelos empresários já prevê um ganho real para os trabalhadores, superando o índice inflacionário acumulado no período. “Com uma inflação de 3,82%, estamos oferecendo mais que o dobro de ganho real, algo que poucos sindicatos patronais conseguiram proporcionar”, destacou.
Apesar disso, o dirigente reconhece que ainda há divergências e que o acordo depende de um entendimento entre as partes. “Nossa expectativa é que, na próxima reunião, possamos chegar a um denominador comum, permitindo que os trabalhadores recebam seus salários de abril e maio já com o reajuste aplicado”, afirmou.
Outro ponto debatido nas negociações é a exigência de planos de saúde ou odontológico para os funcionários. De acordo com o presidente do Sindicomércio, a proposta enfrenta resistência devido às diferentes realidades financeiras das empresas. “Há empresas que conseguem arcar com esse custo, mas muitas, especialmente as menores, enfrentam dificuldades. Por isso, estamos buscando uma solução equilibrada”, explicou.
Como alternativa, foi criada uma comissão conjunta entre os dois sindicatos para estudar a viabilidade de incluir esse benefício em futuras convenções coletivas, possivelmente a partir do próximo ano.
A ausência de um acordo já trouxe impactos práticos para o setor. No feriado da Sexta-feira da Paixão, durante a Semana Santa, diversas empresas, principalmente supermercados, não puderam abrir utilizando mão de obra contratada, o que resultou em prejuízos tanto para os empresários quanto para os trabalhadores.
Eduardo ressalta que a legislação trabalhista exige que o funcionamento do comércio em feriados com funcionários contratados seja regulamentado por convenção coletiva. “Sem acordo, as empresas ficam impedidas de operar nesses dias, o que prejudica todos os envolvidos”, pontuou.
A preocupação agora se volta para o próximo feriado, em 21 de abril. Caso não haja consenso até a reunião da próxima segunda-feira, o comércio poderá novamente enfrentar restrições. “Estamos confiantes de que conseguiremos fechar o acordo a tempo e garantir a normalidade das atividades”, concluiu o presidente do SindComércio.
Enquanto isso, trabalhadores aguardam a definição do reajuste salarial, e empresários seguem atentos aos desdobramentos da negociação, que impacta diretamente o funcionamento do comércio na cidade.
Confira a entrevista completa:







