A dificuldade para encontrar trabalhadores no campo deixou de ser apenas um problema pontual para produtores de frutas e hortaliças e passou a influenciar decisões estratégicas do setor. A escassez de mão de obra já interfere no planejamento das propriedades, nos investimentos e até na escolha das tecnologias utilizadas na produção.
O cenário foi analisado por pesquisadores da equipe de Hortifrúti do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Segundo os especialistas, a preocupação dos produtores não está mais restrita à formação das equipes para a próxima safra. A falta de trabalhadores passou a ser considerada na definição de como produzir, quanto investir, se é possível ampliar a atividade e quais tecnologias podem ser adotadas para reduzir a dependência do trabalho manual.
A horticultura está entre as atividades mais afetadas porque diversas etapas da produção, como plantio, manejo e colheita, ainda dependem de forma significativa da mão de obra humana.
A redução da disponibilidade de trabalhadores não é uma realidade exclusiva do Brasil. De acordo com os pesquisadores do Cepea, produtores de outros países também enfrentam dificuldades semelhantes e têm buscado alternativas para manter a produtividade e a competitividade.
Entre as estratégias estão o aumento da mecanização, a automação de processos, a qualificação dos profissionais e mudanças na organização das atividades dentro das propriedades.
Na horticultura, entretanto, a adoção dessas soluções pode ser mais complexa devido às características de diferentes cultivos e à necessidade de mão de obra em diversas etapas da produção.
A escassez de trabalhadores tem acelerado a busca por tecnologias capazes de tornar as atividades mais eficientes e reduzir a dependência de tarefas manuais.
Nesse processo, produtores precisam avaliar não apenas o custo de aquisição de máquinas e equipamentos, mas também o retorno dos investimentos, a disponibilidade de profissionais qualificados para operar as novas tecnologias e a adaptação dos sistemas de produção.
A transformação tecnológica, portanto, passa a ser uma questão diretamente ligada à sobrevivência e à competitividade de determinadas atividades da horticultura.
Com a dificuldade crescente para contratar trabalhadores, decisões que antes eram tomadas principalmente com base na disponibilidade de terra, mercado e condições de produção agora também precisam considerar a oferta de mão de obra.
Isso pode influenciar desde a escolha das culturas até o tamanho das áreas cultivadas e o momento adequado para realizar investimentos.
A tendência é que a falta de trabalhadores continue estimulando mudanças na horticultura brasileira, com maior busca por automação, mecanização e qualificação profissional.
Para os produtores, o desafio será encontrar o equilíbrio entre tecnologia, custos e produtividade, garantindo que a modernização seja capaz de compensar a redução da oferta de mão de obra sem comprometer a qualidade e a competitividade das frutas e hortaliças brasileiras.







