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Ricardo Barreto, do Sind-UTE, detalha greve da educação e cobra recomposição salarial do governo de Minas

De acordo com cálculos apresentados pelo sindicato, baseados em dados do Dieese, o governo teria deixado de pagar uma recomposição que somaria 41,83% no período

Na manhã desta quarta-feira (04), o programa Radar, da Rádio Clube 98, recebeu o professor Ricardo Barreto, coordenador-geral do Sind-UTE – subsede Patos de Minas, para falar sobre a paralisação dos profissionais da educação da rede estadual.

A greve foi deflagrada após assembleia da categoria e teve início nesta quarta-feira, por tempo indeterminado. O movimento ocorre em protesto contra a proposta de reajuste salarial de 5,4% apresentada pelo governo de Minas Gerais, comandado por Romeu Zema.

Segundo Ricardo Barreto, embora a categoria reconheça o índice de 5,4% definido por portaria do Ministério da Educação (MEC) para o piso da educação neste ano, o valor não recompõe as perdas acumuladas ao longo dos últimos oito anos. De acordo com cálculos apresentados pelo sindicato, baseados em dados do Dieese, o governo teria deixado de pagar uma recomposição que somaria 41,83% no período.

O 5,4% nós aceitamos, porque é o que foi definido pelo MEC este ano. Mas o governo ainda deve uma recomposição muito maior. Temos um déficit salarial que reduziu drasticamente o poder de compra da categoria”, afirmou.

Salários defasados e impacto na categoria

Conforme o coordenador, um professor que ingressa hoje na rede estadual recebe cerca de R$ 2.920,79 brutos, quando, segundo o sindicato, deveria receber aproximadamente R$ 4.142, considerando as perdas acumuladas. Ele também citou a situação das ASBs (Auxiliares de Serviços da Educação Básica), que, segundo ele, enfrentam dificuldades salariais e problemas relacionados à complementação para atingir o salário mínimo.

Ricardo destacou ainda que a defasagem salarial tem provocado desmotivação, adoecimento e até a evasão de profissionais da rede estadual. “Hoje falta profissional. Muitos professores, quando passam em concurso municipal e estadual, optam pela prefeitura, que paga melhor”, disse.

Greve por tempo indeterminado

A paralisação foi aprovada em assembleia geral da categoria em Belo Horizonte, respeitando o prazo legal de 72 horas de comunicação ao governo. O sindicato informou que a adesão será construída gradualmente, com visitas às escolas e diálogo com os servidores.

O direito de greve é individual. A greve não é da escola, é do servidor. Cada profissional decide se adere ou não”, explicou Ricardo.

Ele ressaltou que, conforme a legislação, as aulas paralisadas deverão ser repostas posteriormente, seja com ampliação de carga horária, aulas aos sábados ou extensão do calendário escolar.

Críticas à gestão e políticas educacionais

Durante a entrevista, o coordenador do Sind-UTE também criticou propostas do governo estadual, como a ampliação da gestão privada em escolas públicas e a possibilidade de terceirização de serviços. Segundo ele, medidas como essas enfraquecem a educação pública e aumentam a insegurança dos trabalhadores.

Ricardo citou ainda a retirada do ensino fundamental do SESEC (Serviço de Educação de Jovens e Adultos) e afirmou que há sobrecarga de trabalho, pressão administrativa e falta de valorização profissional.

A educação sempre é prioridade no discurso político, mas, na prática, não é tratada como deveria. Todas as profissões passam pelo professor, mas a valorização não acontece”, afirmou.

Mobilização regional

Na região de Patos de Minas, o sindicato já iniciou o processo de mobilização junto às escolas estaduais. O coordenador destacou que o movimento busca não apenas melhorias salariais, mas também melhores condições de trabalho e valorização das oito categorias que compõem a educação estadual.

O Sind-UTE orienta pais e responsáveis a compreenderem o movimento e reforça que a paralisação é uma forma de pressionar o governo a abrir negociação para tratar da recomposição das perdas salariais acumuladas.

A greve segue por tempo indeterminado, enquanto a categoria aguarda um posicionamento do governo estadual para avançar nas negociações.

Confira a entrevista completa:

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