O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) sediou, nesta quarta-feira (2), em Belo Horizonte, uma capacitação nacional voltada ao aprimoramento do atendimento a mulheres e meninas em situação de violência. A iniciativa reuniu profissionais da segurança pública e integrantes da rede de proteção para discutir acolhimento, prevenção da revitimização e medidas de proteção.
O encontro, denominado Dia C de Capacitação: Atendimento, Proteção e Perspectiva de Gênero na Segurança Pública, foi realizado simultaneamente nas 27 unidades federativas. A ação é promovida pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), em parceria com o Ministério das Mulheres, o MPMG e instituições que integram a rede de enfrentamento à violência de gênero.
Segundo o Ministério Público, a mobilização teve como objetivo qualificar a atuação dos profissionais que lidam diretamente com vítimas, buscando tornar o atendimento mais humanizado e eficiente e evitar situações de revitimização durante o processo de busca por ajuda.
Durante a abertura, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou a dimensão nacional da iniciativa. De acordo com ela, mais de 7 mil profissionais participaram simultaneamente das atividades realizadas pelo país.
A ministra também ressaltou a importância da formação continuada dos agentes públicos e da integração entre as instituições responsáveis pelo atendimento às vítimas. Para ela, o aperfeiçoamento dos serviços é fundamental para garantir que mulheres e meninas tenham acesso a uma rede de proteção capaz de agir de maneira adequada diante das diferentes formas de violência.
Perspectiva de gênero no atendimento
O diretor da Secretaria Nacional de Segurança Pública, João Alberto Nogueira Júnior, classificou a iniciativa como uma das maiores capacitações nacionais direcionadas aos agentes de segurança pública. Ele destacou que a formação busca incorporar a perspectiva de gênero à atuação cotidiana dos profissionais.
A coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (CAOVD), Denise Guerzoni, também participou da abertura e ressaltou a importância da preparação dos profissionais responsáveis pelo primeiro contato com as vítimas.
Segundo ela, considerar a perspectiva de gênero não significa abrir mão da técnica ou da imparcialidade. Pelo contrário, permite compreender melhor as situações de violência, identificar riscos e adotar medidas de proteção mais adequadas.
Denise Guerzoni também enfatizou que o atendimento humanizado deve ser encarado como uma obrigação dos agentes públicos e não apenas como uma demonstração de sensibilidade.
Atendimento integrado
A capacitação reuniu profissionais de diferentes áreas da segurança pública e da rede de proteção. A proposta é fortalecer a atuação conjunta das instituições e melhorar o encaminhamento das vítimas para os serviços disponíveis.
Durante as atividades, foram abordados temas relacionados ao acolhimento, à proteção das mulheres, à aplicação de medidas protetivas e à necessidade de evitar práticas que possam provocar novos danos às vítimas durante o atendimento.
Para o MPMG, a qualificação permanente dos profissionais é uma das estratégias para aprimorar as políticas de enfrentamento à violência contra mulheres e meninas.
A iniciativa faz parte de uma mobilização nacional voltada à construção de uma rede de proteção mais preparada para identificar situações de risco, acolher vítimas e garantir respostas adequadas diante dos casos de violência.







