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Missão humanitária na Venezuela marca trajetória de bombeiros de Patos de Minas

A experiência adquirida na missão internacional passa a integrar o conhecimento técnico dos bombeiros de Patos de Minas e fortalece a preparação da corporação para futuras operações de resposta a desastres.
Foto: Ascom Bombeiros

Após 13 dias de atuação em um dos cenários de desastre mais complexos já enfrentados pela corporação, o tenente Renato Melo e o sargento Lúcio Flávio, do 12º Batalhão de Bombeiros Militar, retornaram ao Brasil após integrarem a Força-Tarefa Brasileira enviada para apoiar as operações de busca e resgate na Venezuela.

Os militares participaram da missão internacional após o governo brasileiro oferecer apoio ao país atingido. Segundo o tenente Renato Melo, o deslocamento das equipes ocorre somente após a solicitação e coordenação da Organização das Nações Unidas (ONU), responsável por organizar a atuação das equipes especializadas em grandes desastres.

A primeira equipe brasileira chegou à Venezuela na sexta-feira, dois dias após o terremoto. Já os militares de Patos de Minas integraram o segundo grupo enviado pelo Brasil, chegando ao país no domingo para reforçar as operações.

Durante a missão, a equipe brasileira realizou 90 intervenções em áreas atingidas. Ao todo, foram recuperados 23 corpos de vítimas que estavam sob os escombros. Apesar dos esforços concentrados na localização de sobreviventes, nenhuma pessoa com vida foi resgatada pela equipe brasileira.

De acordo com o tenente Renato Melo, praticamente todas as operações tinham como objetivo principal encontrar vítimas com vida. Em muitos casos, porém, era necessário retirar corpos para que as buscas pudessem continuar em áreas onde ainda havia possibilidade de sobreviventes.

As operações ocorreram em um cenário considerado extremamente complexo. Diversos edifícios de até 15 andares sofreram colapso total, enquanto réplicas do terremoto continuavam sendo registradas, aumentando os riscos para as equipes de resgate. Renato Melo explicou que, mesmo diante da necessidade de rapidez, cada intervenção exigia uma avaliação constante da estabilidade das estruturas para garantir a segurança dos bombeiros.

Outro desafio foi conciliar o uso de máquinas pesadas com as buscas por sobreviventes. Segundo o oficial, esse tipo de equipamento só era utilizado quando praticamente não havia mais possibilidade de localizar pessoas com vida, já que sua utilização poderia provocar novos desabamentos e comprometer eventuais bolsões de sobrevivência.

Ao todo, mais de 70 equipes de cerca de 30 países participaram da operação internacional. Durante o período em que a delegação brasileira permaneceu na Venezuela, as equipes internacionais conseguiram resgatar 14 pessoas com vida.

A Força-Tarefa Brasileira foi composta por 71 bombeiros militares dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraná. Minas Gerais enviou 31 militares e quatro cães de busca, enquanto os demais estados também contribuíram com equipes especializadas e cães farejadores.

Segundo Renato Melo, o que mais impressionou foi a dimensão do desastre. Diferentemente das ocorrências atendidas com frequência no Brasil, o terremoto comprometeu praticamente toda a infraestrutura da região, atingindo vias públicas, edifícios, serviços essenciais e até as próprias equipes locais de resgate, que também sofreram perdas.

Para o sargento Lúcio Flávio, a missão foi a mais desafiadora de seus nove anos de carreira. Ele afirmou que, apesar do forte impacto emocional causado pelo cenário de destruição, o treinamento constante permite que os bombeiros mantenham a calma, a objetividade e o foco no trabalho de busca e salvamento.

Após o retorno ao Brasil, todos os integrantes da missão passaram por avaliações médicas e psicológicas, procedimento realizado antes e depois desse tipo de operação para acompanhar as condições físicas e emocionais dos profissionais.

A experiência adquirida na missão internacional passa a integrar o conhecimento técnico dos bombeiros de Patos de Minas e fortalece a preparação da corporação para futuras operações de resposta a desastres.

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