A reportagem da Rádio Clube conversou com o médico dermatologista doutor Cícero Zolli sobre a campanha Janeiro Roxo, iniciativa dedicada à conscientização da população sobre a hanseníase, doença infecciosa que ainda registra casos frequentes no Brasil e carrega forte estigma social.
Segundo o especialista, o Janeiro Roxo é um período estratégico para ampliar a divulgação de informações corretas sobre a doença, conhecida antigamente como lepra. “A hanseníase é uma doença de interesse público porque é contagiosa em uma de suas formas e, se não tratada corretamente, pode causar sequelas graves, como feridas, cicatrizes e até cegueira”, explica o médico.
O doutor Cícero destaca que a principal manifestação da hanseníase é a perda de sensibilidade, especialmente para calor e frio. “A pessoa deixa de sentir dor, quente ou frio em determinadas regiões do corpo. Com isso, acaba não cuidando de ferimentos, que podem se agravar”, alerta. Ele ressalta que qualquer pessoa que apresente perda de sensibilidade nas mãos, pés, tronco ou em outras partes do corpo deve procurar atendimento médico.
O diagnóstico precoce é fundamental e o tratamento da hanseníase pode ser realizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Uma vez diagnosticada, a doença tem tratamento eficaz e, após cerca de dez dias do início da medicação, o paciente já não transmite mais a hanseníase”, afirma o dermatologista.
Sobre a transmissão, o médico esclarece que existem quatro formas da doença, mas apenas uma é contagiosa. Por isso, quando um caso é confirmado, também são avaliadas as pessoas que convivem com o paciente, para identificar a possível origem da infecção.
Além da perda de sensibilidade, outros sinais podem surgir com o tempo, como manchas brancas ou avermelhadas na pele, diminuição de pelos, redução da sudorese e aparecimento de feridas. No entanto, esses são sintomas secundários. “O primeiro e mais importante sinal é a dormência constante e progressiva, diferente daquela dormência passageira que melhora com o movimento”, reforça.
Segundo o especialista, a hanseníase ainda é uma doença totalmente negligenciada, tanto na formação médica quanto no serviço público e até mesmo pela população, que muitas vezes demora a procurar ajuda. Apesar dos avanços, a doença ainda é uma realidade. O Brasil ocupa a segunda posição mundial em número de casos, ficando atrás apenas da Índia. Em Minas Gerais, incluindo Patos de Minas e região, os registros estão dentro da média, mas a doença ainda é diagnosticada com frequência.
Confira a entrevista completa com o dermatologista, doutor Cícero Zolli:







