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Irmãs de Uberaba vítimas de tráfico humano retornam ao Brasil após resgate

A The Exodus Road Brazil afirma que ofertas com salários elevados, passagens aéreas, moradia e promessa de melhores condições de vida podem ser utilizadas por redes criminosas para atrair vítimas.
imagem gerada por IA

Duas irmãs moradoras de Uberaba, no Triângulo Mineiro, que foram vítimas de uma rede internacional de tráfico de pessoas, retornaram ao Brasil após semanas retidas no exterior. A informação foi confirmada pela ONG The Exodus Road Brazil e pela Clínica de Combate ao Trabalho Escravo da Unipac Uberaba, que acompanham o caso.

As duas faziam parte de um grupo de 23 brasileiros que chegaram a Madagascar em agosto, após deixarem o Camboja, onde, segundo relatos, permaneceram por cerca de cinco meses em uma situação de exploração ligada a uma rede de crimes cibernéticos.

As irmãs haviam deixado Uberaba acreditando que trabalhariam no exterior. Uma delas, que é cabeleireira, recebeu uma proposta para trabalhar em um salão de beleza na Tailândia. A outra teria sido contratada para atuar como recepcionista.

Segundo a The Exodus Road Brazil, os brasileiros foram submetidos a um esquema de exploração para aplicação de golpes virtuais contra vítimas no Brasil, incluindo falsas abordagens em nome da Polícia Federal e o chamado “golpe do amor”.

A ONG ressalta, porém, que a situação de cada um dos 23 brasileiros precisa ser analisada individualmente pelas autoridades e que não é possível afirmar que todos tenham sido vítimas de tráfico de pessoas.

As duas irmãs retornaram ao país há cerca de duas semanas. De acordo com a Clínica de Combate ao Trabalho Escravo da Unipac Uberaba, a viagem foi viabilizada com recursos próprios e com a ajuda de uma arrecadação online organizada para auxiliar no retorno.

Antes disso, familiares haviam procurado a Defensoria Pública da União para comprovar a situação de hipossuficiência financeira e buscar auxílio para o retorno.

Na época, o Ministério das Relações Exteriores informou que a comprovação de falta de recursos era necessária, mas não suficiente para que o governo custeasse automaticamente a repatriação. O Itamaraty também explicou que o retorno de brasileiros no exterior é uma medida excepcional e depende da análise de cada caso.

Os brasileiros chegaram a permanecer no aeroporto de Madagascar após deixarem o esquema de exploração. Segundo a ONG, eles estavam sem os passaportes e receberam posteriormente acolhimento de uma organização local, enquanto eram buscadas alternativas para o retorno ao Brasil.

O caso também chama atenção para os riscos de falsas ofertas de emprego no exterior. O Itamaraty mantém alertas sobre o aliciamento de brasileiros e orienta que propostas de trabalho fora do país sejam verificadas antes da viagem.

A The Exodus Road Brazil afirma que ofertas com salários elevados, passagens aéreas, moradia e promessa de melhores condições de vida podem ser utilizadas por redes criminosas para atrair vítimas.

Fonte: G1 Triângulo Mineiro / TV Integração.

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