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Hoje é Dia do Cinema Brasileiro: Patos de Minas e região também fazem cinema, com produções que resgatam lendas, histórias e personagens do interior

Neste Dia do Cinema Brasileiro, conhecer essas obras é uma forma de reconhecer quem produz cultura na região e entender que Patos de Minas e o Alto Paranaíba também têm lugar na história do audiovisual brasileiro.

Quando se fala em cinema brasileiro, é comum lembrar de grandes produções realizadas no Rio de Janeiro, em São Paulo ou em outros importantes centros culturais do país. Mas o interior de Minas Gerais também tem histórias nas telas. Em Patos de Minas e municípios vizinhos, atores, diretores, roteiristas e produtores independentes vêm transformando lendas, acontecimentos históricos, tradições e personagens regionais em filmes e documentários.

Neste 5 de novembro, Dia do Cinema Brasileiro, vale conhecer algumas dessas produções e lembrar que a história do cinema na região é muito mais antiga do que muita gente imagina.

Um dos capítulos mais importantes dessa história aconteceu entre 1964 e 1965, quando Patos de Minas, Lagoa Formosa e o distrito de Santana de Patos receberam as filmagens de Grande Sertão: Veredas, adaptação cinematográfica da obra de João Guimarães Rosa.

Dirigido pelos irmãos Geraldo e Renato Santos Pereira, o longa contou com atores como Maurício do Valle, Sônia Clara, Jofre Soares, Graça Mello, Milton Gonçalves e Glória Goulart.

Santana de Patos recebeu a maior parte das gravações. Moradores acompanharam de perto a movimentação da equipe e alguns participaram como figurantes. O antigo Roza Hotel, em Patos de Minas, também hospedou integrantes da produção.

Seis décadas depois, essa passagem histórica voltou às telas por meio do documentário Entre Cenas e Memórias – Patos de Minas & o Grande Sertão: Veredas, lançado em 2025.

Com roteiro e direção do ator patense Pedro Pauleey, o documentário recupera imagens, depoimentos e lembranças de pessoas que vivenciaram as gravações. Entre os entrevistados está Sônia Clara, que interpretou Diadorim na produção original e tinha 17 anos na época das filmagens.

O trabalho também reúne relatos de moradores e pesquisadores, entre eles o historiador Altamir Fernandes. A produção é da Picapau Filmes em parceria com Lu Chagas.

Outra produção que merece destaque é o curta-metragem A Mulher de Sete Metros, lançado em 2017. O suspense foi inspirado em uma das lendas urbanas mais conhecidas de Patos de Minas, associada à Avenida Getúlio Vargas.

A história é baseada na figura de Lavi Lopes, personagem associada a relatos sobre uma mulher que teria maltratado pessoas escravizadas. Após sua morte, surgiu a lenda de uma aparição gigantesca, vestida de preto, que teria assustado moradores da cidade.

O roteiro foi escrito por Pedro Pauleey, que também participou da produção e atuou no filme. A direção ficou a cargo de Dilleygor Lagares, com fotografia de Elson Dias e André Leite Mendonça.

A produção reuniu artistas patenses e contou com participantes selecionados por meio de uma oficina de cinema, o WorkCine. O curta tem aproximadamente 23 minutos e mostra como histórias transmitidas entre gerações podem se transformar em narrativas cinematográficas.

Além de A Mulher de Sete Metros, Pedro participou de trabalhos como Claustrofobia, Rosas e Joaquim e o Diamante Presidente Vargas. Também atuou em produções audiovisuais fora da região.

Em Rosas, curta-metragem dirigido por Ivann Willig, Pedro integrou o elenco. A produção conquistou reconhecimento no Los Angeles Brazilian Film Festival, em 2019, com o prêmio de Melhor Filme.

Já Dilleygor Lagares tem participação em produções como ator e diretor, incluindo trabalhos desenvolvidos em parceria com outros artistas do Alto Paranaíba.

Em Presidente Olegário, uma produção levou para o cinema um acontecimento histórico que faz parte da memória do município: a descoberta do Diamante Presidente Vargas.

O curta-metragem Joaquim e o Diamante Presidente Vargas conta a história de Joaquim Venâncio Tiago, garimpeiro de origem humilde que, em 1938, encontrou uma pedra de 726 quilates, posteriormente batizada em homenagem ao então presidente Getúlio Vargas.

A produção tem direção de Bellamir Freire, roteiro de André Mendonça, Bellamir Freire e Rui Matteo Filho, e produção da Viva Filmes. No elenco estão Raymundo de Souza, Pedro Pauleey, Dilleygor Lagares, Cinthia Maria, Lu Chagas, Manoel Tavares e outros artistas.

O curta foi contemplado com reconhecimento no Festival Internacional de Cinema CINEMAZ, em 2025, conquistando três premiações na Mostra Competitiva Mineira: Melhor Filme de Minas Gerais, Melhor Ator de Minas Gerais, para Raymundo de Souza, e Melhor Direção de Minas Gerais, para Bellamir Freire.

A produção também foi exibida no Museu das Minas e do Metal, em Belo Horizonte, em agosto de 2024.
Outro trabalho ligado ao cinema de Presidente Olegário é Lobisomem de Prata dos Netos, média-metragem idealizado pelo diretor, roteirista e produtor André Mendonça. O projeto levou aproximadamente dois anos para ser produzido e contou com participações especiais de Pedro Pauleey e Dilleygor Lagares.

Em Patos de Minas, o documentário Congado: Um Reino Oculto no Brasil Profundo registra manifestações culturais e tradições de ancestralidade africana presentes na cidade. O trabalho foi realizado em 2020 e participou de mostras audiovisuais.

Outra produção de Martinelli, é PATOS, O Rock Que Nos Trouxe Até Aqui, documentário que percorre quatro décadas da história do rock patense, recuperando personagens, apresentações e acontecimentos que marcaram a cena musical local.

Já o projeto Cine Tropeiro levou sessões de cinema e oficinas audiovisuais para comunidades rurais, com a proposta de aproximar a população da produção cinematográfica. Entre as obras apresentadas estava Música Sertaneja: O Canto de Todos os Cantos, sobre a história da música em Patos de Minas.

Essas produções mostram que o cinema também é construído por iniciativas independentes, muitas vezes com equipes pequenas, recursos limitados e participação de artistas da própria comunidade.

Os filmes ajudam a preservar a memória, registrar acontecimentos históricos, valorizar lendas populares e apresentar a identidade cultural de cada município. Também abrem oportunidades para atores, técnicos, roteiristas, diretores e novos talentos.

Neste Dia do Cinema Brasileiro, conhecer essas obras é uma forma de reconhecer quem produz cultura na região e entender que Patos de Minas e o Alto Paranaíba também têm lugar na história do audiovisual brasileiro.

Fonte: Jornal de Patos
Reportagem: Angélica Pares

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