A primeira edição do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), divulgada pelo Ministério da Educação (MEC), acendeu um alerta para o ensino médico em Minas Gerais. Dos cursos avaliados no estado, dez obtiveram notas 1 ou 2 — os piores conceitos do exame, classificados como insatisfatórios — e podem sofrer punições administrativas. Em contraste, apenas seis cursos mineiros atingiram a nota máxima, 5.
Por se tratar da estreia do exame, as sanções previstas pelo MEC serão aplicadas de forma gradativa e válidas até a próxima edição. Entre as medidas possíveis estão a suspensão de novos ingressos — nos casos mais graves — e a proibição de ampliação do número de vagas. Antes disso, no entanto, não há punição automática: as instituições terão 30 dias para apresentar defesa em processo administrativo e justificar o desempenho.
Cursos de medicina com piores notas em Minas Gerais:
- Universidade Presidente Antonio Carlos (Unipac) – Juiz de Fora – nota 1
- Faculdade de Saúde e Ecologia Humana (Faseh) – Vespasiano – nota 1
- Universidade de Itaúna (UI) – Itaúna – nota 2
- Universidade do Vale do Rio Doce (Univale) – Governador Valadares – nota 2
- Centro Universitário Faminas (Uni Faminas) – Muriaé – nota 2
- Centro Universitário Unifacig – Manhuaçu – nota 2
- Faculdade de Minas (Faminas) – Belo Horizonte – nota 2
- Centro Universitário Vértice (Univertix) – Matipó – nota 2
- Faculdade Dinâmica do Vale do Piranga (Fadip) – Ponte Nova – nota 2
- Faculdade de Medicina de Barbacena (Fame) – Barbacena – nota 2
Cursos de medicina com nota máxima (nota 5) em Minas Gerais:
- Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) – Ouro Preto
- Universidade Federal de Viçosa (UFV) – Viçosa
- Universidade Federal de Uberlândia (UFU) – Uberlândia
- Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) – Montes Claros
- Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – Belo Horizonte
- Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) – Juiz de Fora
- Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) – Governador Valadares
A divulgação dos resultados também foi marcada por controvérsia. A Anup (Associação Nacional das Universidades Particulares) questionou a realização do exame e tentou barrar judicialmente a publicação dos dados, alegando, entre outros pontos, pouco tempo para que as instituições preparassem os alunos e possíveis danos reputacionais decorrentes de notas baixas. O pedido foi negado pela Justiça.
Ao analisar o caso, o juiz Rafael Leite Paulo, do Distrito Federal, considerou que os resultados do Enamed são de interesse público e que a divulgação, por si só, não configura prejuízo às instituições.
Lançado pelo MEC em abril de 2025 e aplicado em outubro do mesmo ano, o Enamed contou com a participação de mais de 89 mil pessoas, sendo cerca de 39 mil concluintes de medicina. No resultado geral, 75% dos participantes alcançaram, ao menos, a nota 3.







