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Doação de lotes fortalece preservação da história e sustentabilidade de comunidades quilombolas em Patos de Minas

A doação foi recebida como um gesto de solidariedade e de valorização da cultura, além de representar uma oportunidade para transformar um território marcado por histórias de gerações em um espaço de preservação, produção e desenvolvimento comunitário.

Uma área de terras com forte valor histórico para as comunidades quilombolas de Patos de Minas foi doada à Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos das Famílias Teodoro de Oliveira e Ventura (ARQTOV). A iniciativa foi realizada por um empresário que mantém uma relação de respeito com a história e as tradições das famílias quilombolas.

Segundo o doador, a decisão levou em consideração a importância histórica do local, que no passado abrigou uma antiga olaria onde pessoas negras da região produziam tijolos e adobes. Para ele, a área, que possui recursos naturais e características que poderiam favorecer outras atividades, deveria receber uma destinação capaz de beneficiar a comunidade.

“Eu acho que toda tradição tem que ser respeitada e cultuada”, afirmou o empresário, ao destacar também a importância da participação do poder público e da sociedade na valorização das comunidades quilombolas.

Ele espera que o gesto inspire outras pessoas que tenham condições de contribuir com projetos voltados à preservação da cultura e da história de Patos de Minas.

Para representantes da ARQTOV, a doação representa mais do que a conquista de um espaço físico. O terreno é considerado parte do território de memória das famílias quilombolas e está relacionado diretamente às histórias de seus antepassados.

A liderança da associação destacou que o local guarda lembranças de antigas práticas culturais, religiosas e de trabalho. Sob uma árvore existente na área, por exemplo, eram realizados rituais de matriz africana. A região também foi marcada pela presença de uma olaria onde os moradores produziam tijolos para a própria sobrevivência.

De acordo com os relatos, os antigos moradores enfrentaram condições de trabalho extremamente difíceis, mas conseguiram preservar tradições e manter viva a identidade da comunidade ao longo das gerações.

A área doada pelo empresário fica em uma parte do terreno ancestral. Outra área, localizada abaixo, também foi destinada à comunidade por meio do poder público, formando um espaço que poderá ser utilizado em conjunto para projetos de desenvolvimento e preservação.

A expectativa da associação é utilizar as áreas para ampliar projetos de sustentabilidade, geração de renda, preservação ambiental e valorização da cultura quilombola.

Entre as iniciativas mencionadas estão projetos relacionados à criação de peixes, estrutura para abate e implantação de hortas em modelo mandala.

A proposta é permitir que as famílias tenham novas possibilidades de trabalho e geração de renda, fortalecendo a autonomia da comunidade e, ao mesmo tempo, preservando conhecimentos e práticas tradicionais.

Para a associação, a doação representa um passo importante na busca pela recuperação da dignidade e pela valorização da história da população negra que participou da formação de Patos de Minas.

Representantes da comunidade ressaltaram que a história da população negra está diretamente ligada à formação do município e que iniciativas como a doação ajudam a manter essa memória viva.

O terreno, além do potencial para receber projetos produtivos, é visto como um espaço de memória ancestral. A preservação das referências existentes no local poderá contribuir para que novas gerações conheçam as histórias dos familiares que viveram e trabalharam naquela região.

A ARQTOV também destacou a importância da parceria com diferentes setores para que os projetos possam avançar e beneficiar não apenas as famílias quilombolas, mas toda a sociedade.

Para a entidade, fortalecer a autonomia da comunidade quilombola significa também reconhecer sua contribuição para a história de Patos de Minas.

A doação foi recebida como um gesto de solidariedade e de valorização da cultura, além de representar uma oportunidade para transformar um território marcado por histórias de gerações em um espaço de preservação, produção e desenvolvimento comunitário.

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