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Grupo FASA assume indústria de rações em Patos de Minas e anuncia investimentos para melhorar controle de odores

Empresa preservou todos os funcionários e prevê investimentos de dezenas de milhões de reais nas unidades de Patos de Minas e Itaúna. Soluções para reduzir o mau cheiro dependem da instalação de equipamentos e de melhorias nos sistemas ambientais.

O Grupo FASA assumiu, no início de junho, a operação de três unidades industriais que pertenciam à Patense, empresa do setor de processamento de subprodutos de origem animal. Em Patos de Minas, a nova administração iniciou um trabalho de recuperação da estrutura industrial e anunciou investimentos para melhorar os sistemas de tratamento de efluentes e de controle de odores, uma das principais reclamações de moradores da cidade.

Em entrevista à Rádio Clube, o coordenador corporativo de Meio Ambiente do Grupo FASA, Marcelo Cunha, explicou que a empresa começou a atuação com um diagnóstico das condições das unidades, que passaram por um período com poucos investimentos em razão da situação financeira da antiga proprietária.

Segundo ele, a aquisição envolve as unidades de Patos de Minas e Itaúna, em Minas Gerais, e outra em São Paulo. A unidade paulista ainda não está em operação.

O Grupo FASA é controlado pela Darling Ingredients, empresa norte-americana com atuação internacional no setor de reaproveitamento de subprodutos de origem animal. A atividade consiste em processar materiais provenientes do abate, como ossos, vísceras e sangue, para produzir farinhas, óleos e gorduras utilizados como matéria-prima em diferentes segmentos industriais.

Investimentos para reduzir o mau cheiro

O controle de odores está entre as prioridades da nova administração em Patos de Minas. De acordo com Marcelo Cunha, as primeiras ações incluíram melhorias no sistema de tratamento de efluentes, manutenção de equipamentos e ajustes nos mecanismos responsáveis pelo tratamento dos gases gerados durante o processo industrial.

O representante explicou que o processamento dos resíduos de origem animal envolve cozimento e separação de componentes, etapas que produzem vapores com odores característicos. Para tratar esses gases, a unidade conta com um sistema que combina condensação, lavagem de gases e biofiltro, equipamento que utiliza microrganismos para ajudar a degradar as substâncias responsáveis pelo cheiro.

A empresa está realizando manutenções nesses equipamentos e avaliando novas intervenções para aumentar a eficiência do sistema. Segundo Cunha, também estão em estudo possíveis ampliações da estrutura de controle de odores e a adoção de equipamentos mais eficientes.

O coordenador afirmou que a empresa tem condições de solucionar o problema, mas ressaltou que a implantação das medidas exige tempo. Parte dos equipamentos precisa ser fabricada sob encomenda, de acordo com projetos específicos, e os prazos de fabricação, instalação e início de operação podem se estender por vários meses.

“Não é um problema que a gente resolve da noite para o dia”, explicou o representante, ao destacar que a demora está relacionada às etapas de engenharia e implantação, e não à falta de recursos.

De acordo com Cunha, já foram liberadas dezenas de milhões de reais em investimentos para as unidades de Patos de Minas e Itaúna. Ele citou ainda um investimento de aproximadamente R$ 5 milhões em um equipamento essencial ao processo produtivo da unidade de Patos.

A empresa afirma que pretende trabalhar com soluções definitivas para reduzir os odores, em vez de adotar apenas medidas paliativas. Apesar das intervenções já iniciadas, não foi apresentada uma data específica para a conclusão de todas as melhorias.

Empregos foram mantidos

Outro ponto abordado na entrevista foi a manutenção dos postos de trabalho após a mudança de controle. Segundo Marcelo Cunha, todos os funcionários das duas unidades mineiras foram mantidos, sem redução dos salários ou dos benefícios que já recebiam.

A estrutura inclui benefícios como plano de saúde, inclusive com extensão aos familiares, auxílio-alimentação e auxílio-transporte, conforme informado pelo representante.

A empresa também está realizando contratações pontuais para reforçar equipes e atender a necessidades identificadas durante o diagnóstico das unidades. A prioridade, segundo Cunha, é aproveitar a mão de obra local.

Os interessados em oportunidades de trabalho podem entrar em contato pelo telefone e WhatsApp (34) 99810-3351, número informado durante a entrevista.

Embora exista interesse em ampliar a capacidade produtiva no futuro, a empresa ainda não tem um plano de expansão definido. Neste primeiro momento, o foco está na recuperação da estrutura, na manutenção dos equipamentos, na capacitação dos funcionários e na melhoria dos processos.

Unidade atende cerca de 50 municípios

A unidade de Patos de Minas tem capacidade produtiva informada de aproximadamente 650 toneladas por dia. Segundo o representante, a área de atendimento da fábrica alcança cerca de 50 municípios, com fornecedores distribuídos em um raio que pode chegar a 300 quilômetros.

A operação reúne aproximadamente 3.200 fornecedores, entre frigoríficos de diferentes portes e pequenos estabelecimentos do setor de carnes.

A empresa conta com uma frota superior a 200 caminhões para recolher os subprodutos e transportá-los até as unidades industriais. Cunha explicou que a qualidade da matéria-prima é um fator importante para o processo, pois o tempo de transporte pode influenciar as características da gordura extraída.

Sobre o trânsito de caminhões, ele afirmou que os veículos dos grandes frigoríficos utilizam acessos externos à área urbana. Já as coletas em açougues e pequenos estabelecimentos podem exigir deslocamentos dentro da cidade. A empresa também está promovendo melhorias na frota para reduzir o risco de vazamentos e a emissão de odores durante o transporte.

Produtos são utilizados em diferentes setores

O trabalho realizado pela indústria permite reaproveitar materiais que poderiam ser descartados. As farinhas produzidas são utilizadas como ingredientes na fabricação de rações animais, enquanto os óleos e as gorduras podem ter diferentes aplicações industriais.

Entre os destinos citados estão a produção de biodiesel, cosméticos e produtos de limpeza. Parte da produção também é exportada.

De acordo com Cunha, o reaproveitamento integra uma cadeia de economia circular, na qual subprodutos do abate são transformados em matérias-primas para outros processos produtivos.

Empresa estuda ações ambientais e sociais

Durante a entrevista, o representante também mencionou a possibilidade de futuras parcerias com o município em projetos ambientais e sociais. Segundo ele, iniciativas desse tipo dependem de planejamento e diálogo com as localidades onde o grupo atua.

A empresa também mantém equipes voltadas à área ambiental, tanto na estrutura corporativa quanto nas unidades industriais. O objetivo é acompanhar os processos, atender às exigências legais e buscar melhorias operacionais.

A chegada do Grupo FASA abre uma nova etapa para a indústria em Patos de Minas. Entre os desafios apresentados pela empresa estão a recuperação da estrutura, a modernização dos equipamentos e a redução dos odores que motivam reclamações da população. A efetividade das medidas dependerá da implantação das melhorias previstas e dos resultados obtidos ao longo da operação.

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