Um grave escândalo de corrupção e lavagem de dinheiro abalou a administração da Cemig SIM, braço de energia limpa e distribuída da estatal mineira. O executivo Rubens Soalheiro, que ocupava o cargo de diretor comercial da subsidiária, foi demitido após investigações da Polícia Federal (PF) apontarem sua atuação na abertura de portas para um esquema milionário vinculado ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
A repercussão do caso acendeu o alerta em Patos de Minas e em todo o Alto Paranaíba, região que concentra volumosos investimentos em usinas fotovoltaicas e geração solar distribuída — setor que se tornou o centro das irregularidades investigadas pela PF.
Entenda o Esquema e a Teia Política
Segundo as investigações da Operação Compliance Zero, Soalheiro atuava como administrador de uma complexa estrutura de empresas de fachada e branqueamento de capitais. A manobra visava favorecer a Green Investimentos e outras empresas ligadas a Felipe Vorcaro (primo do ex-banqueiro) na expansão de negócios de energia solar em Minas Gerais.
A apuração da PF revelou ainda ramificações políticas e financeiras graves:
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Propina em Ações: Ações da Green Investimentos com valor de mercado estimado em R$ 13 milhões teriam sido repassadas ao grupo do senador Ciro Nogueira (PP-PI) por apenas R$ 1 milhão (menos de 10% do valor real), como “retribuição” por favores prestados.
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Indicações Políticas: A diretoria comercial da Cemig SIM vinha sendo ocupada por gestores vinculados ao grupo político do ex-secretário de Governo de Romeu Zema, Marcelo Aro (PP).
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Império Solar: Daniel Vorcaro e familiares acumularam cerca de 160 MWp em ativos de geração solar fotovoltaica em solo mineiro, avaliados em aproximadamente R$ 1,2 bilhão.
Demissão, Rompimento de Contratos e Acionamento da PGR
Diante do avanço das investigações, a Cemig informou que adotou medidas imediatas de compliance: demitiu Rubens Soalheiro, encerrou em maio todos os contratos vigentes com as empresas citadas pela PF e contratou uma auditoria externa independente para devassar os negócios da área.
Em Brasília, o caso ganhou desdobramentos criminais e políticos. O deputado federal Rogério Correia (PT) acionou formalmente a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando uma apuração aprofundada sobre o uso da estrutura pública da Cemig para o favorecimento de grupos privados.
Em Patos de Minas, agentes do setor elétrico e consumidores que utilizam os serviços de energia solar da Cemig SIM acompanham os desdobramentos, cobrando transparência para evitar prejuízos aos projetos de energia sustentável na região.







