O setor hortifrúti de Minas Gerais — estado líder no país e responsável por cerca de 50% de todo o alho produzido no Brasil — atravessa um período de forte turbulência econômica. A entrada massiva de alho vindo da China e da Argentina por valores abaixo do custo de produção local tem provocado severos prejuízos aos cafeicultores e olinicultores do Alto Paranaíba, região onde Patos de Minas se destaca como polo de serviços e escoamento agrícola.
Enquanto a mercadoria estrangeira desembarca no mercado brasileiro cotada por volta de R$ 11,00 o quilo, o custo médio para produzir a mesma quantidade nas lavouras do Alto Paranaíba e de outras regiões mineiras fica entre R$ 14,00 e R$ 15,00. A desvantagem competitiva do produtor regional é impulsionada por gargalos históricos, como encargos trabalhistas, carga tributária elevada e os altos custos de energia elétrica e combustíveis no campo.
Redução de Lavouras na Região e Reivindicações do Setor
A disparidade nos preços, somada às oscilações e adversidades climáticas enfrentadas na região, já reflete no encolhimento do plantio e gera apreensão nos municípios do Alto Paranaíba:
-
Queda na Área Cultivada: Segundo a Associação Mineira dos Produtores de Alho (Amipa), a área destinada ao cultivo do bulbo em Minas Gerais despencou de 9,5 mil para 8,5 mil hectares no ciclo atual, mesmo com uma produtividade média estimada em 15 mil kg por hectare.
-
Aplicação de Antidumping: A Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa) cobra do Governo Federal medidas firmes contra a prática de preços no produto argentino, além da revisão rigorosa do acordo de preços estipulado com exportadores chineses.
-
Derrubada de Liminares: Produtores regionais exigem o combate a decisões judiciais e liminares que autorizam importadores a ingressar com o produto no país isentos das taxas de proteção comercial.
-
Alerta sobre Dependência Externa: Lideranças do agronegócio regional advertem que, caso não ocorra uma intervenção imediata para reequilibrar o mercado, a produção nacional corre o risco de encolher ao ponto de tornar o consumidor brasileiro totalmente dependente da importação estrangeira.







