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Chefs de Minas Gerais exploram a cachaça como “especiaria líquida” na alta gastronomia

Especialistas destacam que a variedade de madeiras utilizadas no descanso da cachaça — como amburana, bálsamo e carvalho — confere camadas sensoriais únicas de amargor, dulçor e picância

No Dia Nacional da Cachaça, celebrado hoje 13 de setembro, chefs mineiros vêm redefinindo o papel do destilado na cozinha. Em vez de atuar apenas como acompanhamento ou símbolo caricato de brasilidade, a bebida ganha espaço como ingrediente técnico em pratos doces e salgados, sendo usada para amaciar carnes, equilibrar Sabores e substituir destilados importados.

Minas Gerais mantém a liderança nacional na produção da bebida. De acordo com dados do Anuário da Cachaça 2026, do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o Estado concentra 564 estabelecimentos produtores registrados e quase 3 mil produtos no mercado.

Técnica, equilíbrio e substituições sofisticadas

A aplicação da cachaça nos restaurantes de Belo Horizonte e do interior demonstra a versatilidade do ingrediente:

  • Marinadas e Molhos: No restaurante Trintaeum, a chef Ana Gabi Costa resgata tradições do interior ao utilizar o destilado tanto na marinada da copa-lombo para amaciar a carne quanto no acabamento de molhos, além de integrá-lo em tutus, sobremesas e na conservação de pimentas.

  • Contraste de Sabores: No Dorsé Bar, o chef Elmo Barra combina a cachaça à rapadura e raspas de limão. A acidez da bebida corta o excesso de doce da rapadura, criando o molho agridoce que acompanha a coxinha de tapioca.

  • Substituta de Uísque e Conhaque: No empório Minas Demais, o uísque do tradicional irish coffee dá lugar à cachaça envelhecida em madeira no chamado “Uairish Coffee”. Já na confeitaria Sá Marina, a chef Marina Mendes utiliza a cachaça em criações de pâtisserie, defendendo que o destilado tem o mesmo potencial técnico que o conhaque e o uísque ocupam há séculos na gastronomia mundial.

Complexidade sensorial e valorização do produto local

Especialistas destacam que a variedade de madeiras utilizadas no descanso da cachaça — como amburana, bálsamo e carvalho — confere camadas sensoriais únicas de amargor, dulçor e picância.

Para sommeliers e chefs do setor, o uso do destilado na cozinha ajuda a desconstruir o preconceito de que a cachaça seria uma bebida inferior, posicionando o produto como um ingrediente autêntico e de alta qualidade na gastronomia brasileira.

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