A cachaça de alambique produzida em Minas Gerais tem potencial para conquistar consumidores em outros países, mas ainda enfrenta obstáculos para ampliar sua participação no mercado internacional. Apesar do crescimento das exportações brasileiras em 2025, produtores precisam superar dificuldades relacionadas à escala de produção, aos custos, à regularização e à comercialização.
De acordo com dados do Anuário da Cachaça, as exportações brasileiras cresceram 19,4% em volume e 17,4% em valor em 2025, na comparação com o ano anterior. Os números demonstram o avanço da bebida no comércio exterior, mas a entrada em novos mercados exige planejamento e preparação dos empreendimentos.
A cachaça de alambique possui características próprias de produção e uma forte identidade cultural, fatores que podem representar diferenciais diante dos consumidores estrangeiros. Entretanto, a qualidade e a tradição, sozinhas, não garantem o acesso ao mercado internacional.
Entre os principais desafios estão a organização dos produtores, a regularização dos empreendimentos, a padronização dos produtos, o controle de qualidade e a capacidade de manter uma produção em escala suficiente para atender às demandas externas.
Apesar da premiação, a conquista de consumidores no exterior ainda depende de estratégias comerciais e de melhores condições para viabilizar as exportações. Mírian destaca que os produtores precisam superar barreiras relacionadas ao volume de produção e aos custos, além de fortalecer a união do setor.
Para apoiar esse processo, iniciativas como a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) e o programa agroBR trabalham no desenvolvimento dos empreendimentos rurais, com foco na melhoria da gestão e na preparação para novos mercados.
A cachaça está entre as cadeias produtivas prioritárias do agroBR, que busca aproximar os produtores de oportunidades de negócios internacionais e identificar mercados com potencial de consumo.
De acordo com a consultora Tatiana Barros, um dos desafios é encontrar consumidores que reconheçam os diferenciais da cachaça mineira e estejam dispostos a valorizar as características do produto.
A expectativa é que o fortalecimento da gestão, a organização da produção e a ampliação das estratégias comerciais permitam que mais produtores mineiros conquistem espaço fora do Brasil.
Mesmo com o crescimento das exportações nacionais, a internacionalização da cachaça de alambique depende de investimentos e de uma estrutura capaz de transformar a qualidade e a tradição da bebida em negócios sustentáveis no mercado internacional.
Fonte e foto: Sindijori MG
Reportagem: Angélica Peres







