O acidente vascular cerebral (AVC) continua entre as principais causas de morte no Brasil, mas uma forma pouco conhecida da doença tem chamado a atenção dos especialistas por evoluir de maneira discreta e causar danos permanentes ao cérebro. Trata-se do chamado AVC silencioso, que pode ocorrer sem os sintomas clássicos e aumentar o risco de demência ao longo dos anos.
Diferentemente do AVC tradicional, que costuma provocar sinais como fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar e desvio da boca, o AVC silencioso provoca pequenas lesões cerebrais sem manifestações evidentes no momento em que acontece. Na maioria dos casos, a condição é descoberta apenas durante exames de imagem realizados por outros motivos.
Segundo neurologistas ouvidos por O Tempo, essas pequenas lesões podem se acumular ao longo dos anos, comprometendo as conexões entre os neurônios. O resultado pode ser o desenvolvimento da demência vascular, considerada atualmente a segunda principal causa de demência no mundo, atrás apenas da doença de Alzheimer.
Embora seja chamado de “silencioso”, alguns sinais sutis podem surgir com o passar do tempo, como esquecimentos frequentes, dificuldade de concentração, lentidão para realizar tarefas do dia a dia, perda de iniciativa e alterações no raciocínio. Por isso, qualquer mudança persistente na capacidade cognitiva deve ser avaliada por um médico.
Os principais fatores de risco são os mesmos do AVC convencional: hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool e distúrbios do sono. Especialistas alertam que controlar essas condições é a forma mais eficaz de prevenir tanto o AVC sintomático quanto o silencioso.
Outro ponto que preocupa é o aumento da doença entre pessoas mais jovens. De acordo com os especialistas, o crescimento da obesidade, da hipertensão, do diabetes e de hábitos de vida pouco saudáveis tem contribuído para que o AVC deixe de ser uma doença exclusiva dos idosos.
A recomendação é manter acompanhamento médico regular, controlar os fatores de risco e procurar atendimento imediato diante de qualquer sinal sugestivo de AVC. Quanto mais cedo a prevenção e o tratamento forem iniciados, menores são as chances de novas lesões cerebrais e de comprometimento cognitivo futuro.







