Nesta sexta-feira (7), a escritora Ana Maria Gonçalves, natural de Ibiá, no Alto Paranaíba, tomará posse na Cadeira nº 33 da Academia Brasileira de Letras (ABL). A cerimônia marca um momento histórico: em 128 anos de existência, a instituição terá pela primeira vez uma mulher negra entre seus imortais.
Autora do consagrado romance “Um defeito de cor”, Ana Maria tornou-se uma das vozes mais importantes da literatura brasileira contemporânea, destacando narrativas que resgatam a memória e a ancestralidade do povo negro. Sua posse é vista como um ato simbólico de representatividade e uma reparação histórica em um dos espaços culturais mais tradicionais do país.
Nascida em Ibiá, Ana Maria carrega em sua trajetória a força das histórias que atravessam gerações. Em “Um defeito de cor”, a autora reconstrói a vida de uma mulher africana que sobrevive à travessia do Atlântico e à escravidão no Brasil. A protagonista foi inspirada na figura histórica de Luísa Mahin, mãe do poeta e advogado Luiz Gama, nome essencial no movimento abolicionista brasileiro.
A Cadeira 33 da ABL, que agora passa a ser ocupada por Ana Maria, já teve entre seus representantes nomes de referência na literatura nacional. Ao assumir o posto, a escritora amplia o horizonte da Academia e reafirma a importância de outras vozes, outros corpos e outras histórias na construção da cultura brasileira.
A posse da mineira é celebrada por leitores, pesquisadores, artistas e movimentos culturais de todo o país. Mais do que um reconhecimento individual, é um marco coletivo: a confirmação de que a literatura brasileira é vasta, plural e feita também pelas mãos, pela memória e pela experiência das mulheres negras.
A partir desta sexta-feira, a ABL passa a refletir um Brasil mais verdadeiro, e Ana Maria Gonçalves escreve, novamente, história.







