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Setembro Amarelo reforça importância de falar sobre saúde mental e reconhecer sinais de sofrimento

Associação Ainda Resta Uma Esperança destaca ações gratuitas em Patos de Minas e orienta população sobre a importância de ouvir e buscar ajuda
foto internet

O mês de setembro marca a campanha Setembro Amarelo, período dedicado à conscientização e à prevenção do suicídio. Em Patos de Minas, o tema foi discutido em entrevista com profissionais da área de saúde mental e representantes da Associação Ainda Resta Uma Esperança, que reforçaram a necessidade de romper o silêncio e ampliar o conhecimento sobre o assunto.

Durante a conversa, a psicóloga Jennifer Ferreira destacou que o tema ainda é cercado por tabus e que o silêncio não contribui para a prevenção. Segundo ela, pessoas em sofrimento psicológico nem sempre demonstram de maneira evidente que precisam de ajuda. Muitas vezes, os sinais aparecem em frases e comportamentos aparentemente simples do cotidiano.

Entre os sinais que merecem atenção estão falas de autocrítica, como “eu não consigo”, “eu não posso” e “eu não sou bom o suficiente”, além de mudanças de comportamento, isolamento, perda de interesse por atividades habituais e dificuldade para lidar com situações que antes faziam parte da rotina.

A profissional também chamou a atenção para a necessidade de levar a sério o sofrimento emocional, combatendo ideias que associam depressão a preguiça, falta de fé ou falta de força de vontade. A saúde mental, segundo a abordagem apresentada na entrevista, precisa ser tratada com a mesma seriedade dada a outros problemas de saúde.

Outro ponto abordado foi o impacto do bullying, principalmente entre crianças e adolescentes. A orientação é de que o trabalho de conscientização não fique restrito aos jovens, mas também envolva pais e responsáveis.

A representante da Associação Ainda Resta Uma Esperança, Cristina, explicou que a entidade desenvolve atividades durante todo o ano, com encontros, rodas de conversa e projetos voltados à promoção da saúde mental.

Entre as ações estão encontros online às segundas-feiras, às 19h30, por meio do Google Meet; encontros presenciais às terças-feiras, às 19h, no Cristavo, dentro do projeto “Navegando pelas Emoções”; e encontros de “Valorização da Vida”, realizados na primeira e na última quinta-feira de cada mês.

Todas as atividades são gratuitas e abertas à população.

A proposta, segundo a associação, é criar um ambiente acolhedor para que as pessoas possam falar sobre seus sentimentos, compartilhar experiências e ampliar o autoconhecimento. A entidade também desenvolve ações de psicoeducação em escolas, empresas e instituições.

Durante a entrevista, foi reforçado ainda que a busca por ajuda profissional não deve ser motivo de vergonha. O preconceito em relação à psicoterapia e ao acompanhamento psiquiátrico ainda é apontado como uma das barreiras para que muitas pessoas procurem atendimento.

Outro alerta apresentado foi relacionado aos homens. Questões culturais e a dificuldade de falar sobre sentimentos podem contribuir para que muitos deles não expressem o sofrimento ou procurem ajuda.

A orientação dos profissionais é que familiares, amigos, colegas de trabalho e professores estejam atentos às mudanças de comportamento e às manifestações de sofrimento. Quando alguém demonstra que precisa de ajuda, a recomendação é ouvir sem julgamentos e procurar apoio profissional quando necessário.

A entrevista também destacou que o sofrimento psicológico pode atingir pessoas de diferentes idades e condições sociais. Por isso, a prevenção depende de informação, acolhimento e acesso à ajuda adequada.

A Associação Ainda Resta Uma Esperança reforça que o trabalho de prevenção não deve ficar restrito ao mês de setembro. A conscientização, segundo a entidade, precisa acontecer durante todo o ano, com informação e espaços de acolhimento para quem enfrenta dificuldades relacionadas à saúde mental.

Em situações de crise, o CVV (Centro de Valorização da Vida) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, oferecendo escuta e apoio emocional.