Pais e estudantes da Escola Municipal João Gualberto Amorim Júnior, localizada na comunidade rural de Curraleiro, em Patos de Minas, manifestam insatisfação com a decisão da Prefeitura de suspender a oferta dos anos finais do ensino fundamental na unidade a partir deste ano. A medida foi comunicada às famílias sob a justificativa do baixo número de alunos matriculados nessas séries.
Segundo a Prefeitura, apenas uma turma do sétimo ano e outra do nono ano permaneceriam ativas, enquanto os demais estudantes dos anos finais seriam transferidos para escolas do distrito de Alagoas. A mudança, no entanto, tem gerado preocupação entre os moradores da comunidade, que relatam impactos diretos na rotina das famílias e no rendimento escolar dos alunos.
Confira a nota da Prefeitura:
Em entrevista à Rádio Clube, a mãe de um dos estudantes, Lara Lúcia, afirmou que os pais foram informados oficialmente no dia 16 de dezembro, durante a última reunião escolar do ano. Na ocasião, alguns responsáveis já receberam declarações de transferência para matrícula em outras unidades. Para a maioria dos alunos da zona rural, a escola indicada foi a do distrito de Alagoas, que fica a pelo menos 25 quilômetros de distância de algumas residências.
Ainda de acordo com Lara, representantes dos pais se reuniram posteriormente com a vice-prefeita Sandra Gomes e com o secretário municipal de Educação. Na reunião, foi informado que a manutenção das turmas não seria viável, pois algumas não atingiriam o mínimo de 10 alunos por sala, número considerado necessário para evitar gastos elevados com professores e organização da grade escolar.
Apesar das explicações por parte da prefeitura, os pais alegam que a decisão desconsidera a realidade da comunidade rural. Eles apontam que muitos alunos precisarão acordar por volta de três e meia da madrugada para utilizar um transporte que, segundo relatos, nem sempre oferece condições adequadas. Além disso, há preocupação com estudantes que possuem necessidades específicas de saúde, como TDAH e autismo, e que dependem de uma rotina mais estável.
Os pais chegaram a apresentar alternativas à Prefeitura, como a criação de turmas multisseriadas e o zoneamento para atrair alunos de comunidades próximas, mas afirmam que as propostas não foram acolhidas. Outro ponto levantado é o investimento recente de cerca de dois milhões de reais na reforma da escola, que atualmente conta com estrutura considerada adequada pelos moradores.
Para as famílias, a retirada dos anos finais pode desencadear um efeito em cadeia, com a saída de alunos dos anos iniciais e, futuramente, o fechamento total da unidade. “A escola é o coração da comunidade”, destacou Lara Lúcia, ao afirmar que a medida pode provocar impactos sociais e econômicos, além de incentivar o êxodo rural.
Confira a entrevista completa:








