As Eleições 2026 resultaram na maior bancada feminina da história do Congresso Nacional. O número de mulheres eleitas aumentou tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, embora elas ainda representem uma parcela minoritária das duas Casas.
Na Câmara, foram eleitas 109 mulheres, contra 90 na eleição de 2022. O crescimento é de aproximadamente 21%. As deputadas representarão 21% das 513 cadeiras da Casa a partir da próxima legislatura.
O resultado chama atenção também porque ocorreu mesmo com uma redução no número de candidatas. Em 2022, 3.317 mulheres disputaram uma vaga de deputada federal. Em 2026, foram 2.820, uma queda de cerca de 15%.
Senado terá 12 novas eleitas
Para o Senado Federal, foram eleitas 12 mulheres entre as 54 vagas que estavam em disputa neste ano. Esse é o maior número de mulheres eleitas para a Casa desde a redemocratização.
Em 2018, quando também houve renovação de dois terços do Senado, oito mulheres foram eleitas.
Com o resultado de 2026, o Senado passará a contar com 18 mulheres entre os 81 senadores, considerando as parlamentares que já possuem mandato e as que assumirão em 2027. A participação feminina chegará a aproximadamente 22,2% da composição da Casa.
Mulheres ainda são minoria
Apesar do crescimento, a representação feminina continua abaixo da proporção de mulheres na população brasileira.
Na Câmara, as 109 deputadas representarão 21% do total de parlamentares. No Senado, as 18 mulheres corresponderão a 22,2% das 81 cadeiras.
O Distrito Federal terá uma situação particular: duas mulheres foram eleitas neste ano e, somadas à senadora que já possui mandato, a unidade da Federação passará a ter três mulheres entre suas três cadeiras no Senado.
Por outro lado, o Piauí continua sendo o único estado brasileiro que nunca elegeu uma mulher para o Senado.
Maior presença feminina não significa posição política única
O aumento do número de mulheres no Congresso não significa, necessariamente, que haverá uma atuação conjunta em torno de pautas relacionadas aos direitos das mulheres.
A cientista política Flávia Biroli, professora da Universidade de Brasília, avalia que o aumento da presença feminina também amplia a diversidade de posicionamentos entre as próprias parlamentares. Portanto, mulheres de diferentes partidos e correntes políticas podem defender propostas distintas.
Número de mulheres negras também aumenta na Câmara
Outro destaque das eleições foi o crescimento da quantidade de mulheres negras eleitas para a Câmara dos Deputados.
Segundo levantamento da organização Mulheres Negras Decidem, pelo menos 15 mulheres negras foram eleitas deputadas federais em 2026. Em 2022, haviam sido eleitas nove, o que representa um crescimento de aproximadamente 66,6%.
No Senado, entretanto, nenhuma das 12 mulheres eleitas neste ano é negra. Atualmente, a senadora Eliziane Gama, do Maranhão, é a única mulher negra na Casa, mas não conseguiu a reeleição.
Desde a redemocratização, apenas quatro mulheres negras chegaram ao Senado Federal. Entre elas está Benedita da Silva, que foi a primeira mulher negra eleita para uma cadeira na Casa, em 1998.
As novas parlamentares tomarão posse em fevereiro de 2027, quando terá início a próxima legislatura. O resultado representa um recorde histórico de participação feminina no Congresso, mas os números também mostram que as mulheres ainda estarão longe de ocupar metade das cadeiras do Legislativo federal.







