Na manhã desta terça-feira (17), o programa Radar recebeu o professor doutor do Instituto de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), João Fernando Finazzi, para discutir o conflito entre Estados Unidos e Irã e seus reflexos na economia global e brasileira.
Durante a entrevista, o especialista explicou que a atual guerra é resultado de um processo histórico de décadas. Segundo ele, o Irã foi aliado dos Estados Unidos até 1979, quando a Revolução Iraniana instaurou um regime islâmico no país e rompeu relações com o Ocidente. Desde então, o país passou a adotar uma postura mais nacionalista, principalmente em relação ao controle de suas reservas de petróleo.
Finazzi destacou a importância estratégica do Estreito de Ormuz, localizado no Golfo Pérsico, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás do mundo. Para ele, o controle dessa região é um dos principais fatores por trás do conflito. “O acesso ao petróleo é fundamental. Trata-se de um ponto crítico para o comércio global de energia”, afirmou.
De acordo com o especialista, o conflito não se limita à disputa regional, mas também está inserido em um contexto mais amplo de rivalidade global, especialmente entre Estados Unidos e China. “Essa guerra precisa ser entendida também dentro da disputa estratégica por influência e controle de recursos no cenário internacional”, explicou.
Apesar da gravidade da situação, Finazzi avalia que, no momento, não há indícios de uma escalada para uma terceira guerra mundial, já que isso dependeria do envolvimento direto de outras grandes potências, como China e Rússia.
No campo diplomático, o professor destacou que o Brasil tem mantido sua tradição de defesa do diálogo e da solução pacífica de conflitos, condenando ações unilaterais e reforçando a importância do direito internacional.
Impactos econômicos
Os reflexos da guerra já são sentidos no Brasil, principalmente no aumento dos preços dos combustíveis. No entanto, segundo Finazzi, os efeitos vão além. O bloqueio no fornecimento de petróleo afeta diretamente a indústria petroquímica, comprometendo a produção de itens como plásticos, fertilizantes, tintas e solventes.
Outro ponto de atenção é a possível escassez de insumos essenciais. O Catar, por exemplo, é um importante fornecedor de gás natural, hélio e fertilizantes. A interrupção no fornecimento desses produtos pode impactar setores estratégicos, como a produção de microchips e o agronegócio.
“O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza, e uma parcela significativa vem do Oriente Médio. Mesmo que o conflito termine rapidamente, os impactos já estão sendo sentidos”, alertou o professor.
A entrevista reforça o cenário de incertezas no mercado internacional e destaca como conflitos geopolíticos podem afetar diretamente a economia e o cotidiano da população brasileira.
Confira a entrevista completa:







