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Endividamento leva produtores rurais a buscar recuperação judicial e renegociação de dívidas

Produtores rurais e empresas do agronegócio têm recorrido cada vez mais à recuperação judicial diante das dificuldades financeiras enfrentadas pelo setor. Entre os fatores apontados estão o endividamento, o aumento dos custos de produção, os juros elevados, a queda nos preços dos produtos e os problemas provocados por eventos climáticos.

O aumento dos pedidos de recuperação judicial é resultado de uma combinação de fatores que vêm afetando a atividade rural. Ela cita dados da Serasa que apontam crescimento de aproximadamente 20% nas demandas de recuperação judicial no período analisado.

Entre os principais problemas estão os riscos climáticos, a queda nos preços dos produtos agrícolas, o aumento dos valores dos insumos e as taxas de juros.

Outro fator apontado pela advogada é o chamado “efeito bola de neve” das dívidas. Em alguns casos, o produtor contrai novos empréstimos para conseguir quitar compromissos anteriores, aumentando gradualmente o nível de endividamento.

Fernanda Souto explica que existem sinais de alerta que indicam que o produtor precisa buscar orientação profissional antes que a situação financeira se agrave.

Entre eles estão a necessidade constante de renegociações bancárias, a utilização do patrimônio como garantia para novos empréstimos e o comprometimento do fluxo de caixa.

Quando o produtor percebe que praticamente toda a produção, a safra e o patrimônio estão sendo utilizados como garantia e que não existe uma previsão favorável para o pagamento das dívidas, a orientação é procurar ajuda especializada.

A recuperação judicial não representa um perdão das dívidas. O mecanismo é uma oportunidade para que o produtor ou a empresa tente reorganizar a situação financeira e estabelecer uma forma de pagamento aos credores.

Depois do pedido, o processo envolve o cumprimento de requisitos previstos em lei e a elaboração de um plano de recuperação. A situação financeira passa a ser acompanhada dentro do processo, com participação dos credores e do administrador judicial, quando aplicável.

A recuperação judicial deve ser analisada de maneira individual e costuma ser considerada uma das últimas alternativas para o produtor.

Antes de chegar a esse ponto, a recomendação é procurar profissionais que possam fazer um diagnóstico da situação financeira. Advogado e contador podem avaliar as dívidas, o fluxo de caixa e as possibilidades de negociação.

Uma das alternativas que pode ser analisada antes da recuperação judicial é o alongamento de dívidas.

Essa possibilidade ganha importância principalmente quando o produtor sofre perdas de safra provocadas por eventos climáticos. Em situações como essa, pode ser possível buscar a reestruturação dos pagamentos e postergar parcelas para permitir que o produtor tenha tempo para se recuperar financeiramente.

A especialista destaca que as condições climáticas também têm aumentado a preocupação no campo, especialmente diante de episódios de chuvas intensas que provocam perdas na produção.

Na região, um dos exemplos citados envolve produtores de café de Patrocínio, que registraram perdas em parte da safra em razão das chuvas.

Diante de um cenário de endividamento e de incertezas na produção, a orientação é que o produtor não espere a situação chegar ao limite para buscar ajuda.

A avaliação antecipada das dívidas e das condições financeiras pode permitir a busca por alternativas de negociação e reorganização antes que seja necessário recorrer à recuperação judicial.

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