Febre, dor de cabeça, dores pelo corpo, náuseas, vômitos, tontura e mal-estar são sintomas que podem estar presentes em diferentes arboviroses, como dengue, zika, chikungunya e febre do Oropouche. Apesar das semelhanças, cada doença pode evoluir de maneira diferente e apresentar complicações específicas, o que torna perigosa a tentativa de identificar o problema apenas pelos sintomas.
O alerta é do infectologista Rodolpho Dantas, do Hospital Universitário Alcides Carneiro, vinculado à HU Brasil. Segundo o especialista, a avaliação de um profissional de saúde é importante para acompanhar a evolução do quadro e, quando necessário, solicitar exames que auxiliem na identificação do vírus.
A dengue, por exemplo, costuma apresentar febre, dor de cabeça, dores no corpo, náuseas, vômitos, diarreia, tontura e, em alguns casos, vermelhidão na pele, dor atrás dos olhos e dor nas pernas.
Um dos principais pontos de atenção ocorre entre o terceiro e o quinto dia da doença. A redução da febre não significa, necessariamente, que o paciente esteja melhor. É justamente nesse período que podem surgir sinais de agravamento.
Dor abdominal intensa e contínua, sonolência excessiva ou agitação, falta de ar, aumento da frequência respiratória, queda da pressão arterial e sangramentos, como nas gengivas ou na pele, estão entre os sintomas que exigem atenção imediata.
Um dos maiores riscos, segundo o infectologista, é o uso de medicamentos por conta própria, principalmente quando ainda não há confirmação sobre qual doença está causando os sintomas.
No caso da dengue, medicamentos anti-inflamatórios e o ácido acetilsalicílico, conhecido como AAS, podem aumentar o risco de sangramentos, especialmente em pacientes que apresentam redução das plaquetas.
Por isso, diante de sintomas compatíveis com alguma arbovirose, a recomendação é não se automedicar e procurar orientação profissional. A hidratação e o acompanhamento da evolução do quadro também são fundamentais, principalmente durante os dias considerados mais críticos da doença.
Embora apenas a avaliação clínica e, quando necessário, exames possam confirmar o diagnóstico, algumas características podem chamar mais atenção em cada doença.
Na zika, a febre e as dores costumam ser mais leves. Vermelhidão na pele e conjuntivite são manifestações frequentes. A doença geralmente apresenta evolução mais branda, mas exige atenção especial em gestantes devido à associação da infecção com alterações no desenvolvimento do bebê, incluindo a microcefalia.
Já a chikungunya costuma se destacar pela intensidade das dores nas articulações. Em alguns pacientes, essas dores podem continuar por meses ou até por períodos mais longos, comprometendo atividades do dia a dia.
A febre do Oropouche também pode provocar sintomas semelhantes aos da dengue, como febre, dor de cabeça, dores no corpo, dor atrás dos olhos, náuseas, vômitos, diarreia e tontura. A intensidade da dor de cabeça pode ser um dos sinais de destaque. Em situações mais graves, podem surgir manifestações neurológicas, como confusão mental, sonolência excessiva, agitação e desorientação.
Com diferentes arboviroses circulando simultaneamente, a prevenção é uma das principais formas de reduzir o risco de infecção.
Entre as medidas recomendadas estão o uso de repelentes, roupas que cubram braços e pernas e mosquiteiros, além do combate aos insetos transmissores.
Também é importante eliminar recipientes que possam acumular água, manter caixas-d’água bem fechadas, realizar a limpeza periódica dos reservatórios e evitar o descarte de materiais em locais onde possam se transformar em criadouros de mosquitos.
A orientação é procurar atendimento médico sempre que os sintomas se agravarem, persistirem ou apresentarem mudanças ao longo dos dias. A semelhança entre as doenças reforça a importância de não tentar estabelecer um diagnóstico apenas pela observação dos sintomas e, principalmente, evitar o uso de medicamentos sem orientação profissional.
Fonte: Agência Gov/HU Brasil







