O Brasil alcançou um marco na saúde pública ao cumprir os critérios internacionais para a eliminação da transmissão vertical da hepatite B, que ocorre da gestante para o bebê durante a gestação, o parto ou logo após o nascimento. O resultado foi encaminhado pelo Ministério da Saúde à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e à Organização Mundial da Saúde (OMS), que avaliarão a concessão da certificação oficial.
Os indicadores apresentados mostram que a prevalência da infecção ativa por hepatite B entre crianças menores de cinco anos ficou em 0,0111%, índice muito inferior ao limite de 0,1% estabelecido pela OMS para reconhecer a eliminação da transmissão vertical como problema de saúde pública.
Outro fator decisivo para o alcance da meta foi a elevada cobertura da vacinação contra a hepatite B nas primeiras horas de vida. Em 2024, a imunização dos recém-nascidos atingiu 97%, chegando a 100% em 2025, desempenho superior à meta internacional de 90%.
Segundo o Ministério da Saúde, o avanço é resultado da ampliação das ações de prevenção e assistência oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Entre as principais estratégias estão a realização de testes durante o pré-natal, o tratamento das gestantes infectadas quando indicado, a aplicação da vacina contra hepatite B nas primeiras 12 horas após o nascimento e o uso de imunoglobulina em bebês de mães diagnosticadas com a doença.
A combinação dessas medidas reduz significativamente o risco de transmissão do vírus ao recém-nascido, alcançando índices de proteção próximos a 99% quando adotada de forma adequada.
Embora os resultados representem um importante avanço, a certificação internacional ainda depende da análise técnica da Opas, de especialistas independentes e do comitê de validação da OMS. Até a conclusão desse processo, o reconhecimento permanece em fase de avaliação.
Dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais também apontam redução dos casos e das mortes relacionadas à doença na última década. Entre 2015 e 2025, os registros de hepatite B caíram 25,5%, enquanto os óbitos diminuíram 31,9%. A hepatite C também apresentou queda tanto na incidência quanto na mortalidade.
Apesar dos avanços, especialistas reforçam que a hepatite B continua circulando no país. A manutenção das altas coberturas vacinais, do acompanhamento pré-natal e do diagnóstico precoce permanece essencial para evitar novos casos e consolidar a eliminação da transmissão de mãe para filho.







